segunda-feira, 24 de março de 2008

Eu desisto


Faça de conta que você entende tudo o que eu digo.
Faça de conta que você se importa com o que eu penso.
Faça de conta e me faça acreditar que você lembra de mim.
Faça de conta e brinque comigo, de um jeito menos cruel.

Vamos brincar de inventar histórias de amor.
Vamos brincar de acreditar que elas dão certo.
Vamos brincar de não estar na vida real.
Vamos brincar de estar tudo bem de novo.

Se a gente sente coisas boas elas são para sempre?
Quem pode destruí-las?
Qual o efeito máximo de uma dor?
O silêncio é o grito mais desesperado.

Eu olho para o meu reflexo sem querer acreditar que ele está ali.
Eu olho para o meu reflexo tentando entender se eu mereço tudo isso.
Eu olho para o meu reflexo e paro por um instante.
Eu olho para o meu reflexo e desisto de tentar entender.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Enigma do medo

Rostos nublados e enigmáticos
Mãos frias e preocupadas
Gargantas secas
E uma vontade contida de gritar.

Olhos vagos de pensamentos
Bocas vazias de palavras
Momento estático
E um arrepio congelante pelo corpo.

Talvez o último dia
O último momento tenebroso
Quem sabe o que houve?
Nem quem esteve lá se lembra.

A lembrança repugnante atormenta
Os espelhos parecem escutar
Tudo aquilo que se diz em pensamento
Invade espíritos e destrói sem falhar.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Desagarro

Não desista
Não se limite
Faça o que há para ser feito

Quebre o meu sorriso
Destrua meu pensamento
E faça, sem hesitar ou mentir, o que quiser.

Viva sem mim, e me obrigue a fazer o mesmo
Me mate de chorar, triplique a minha angústia
Mas seja feliz.

Desgoste seu passado, esqueça-o.
Recomece, invente e seja
Tudo aquilo que, mesmo sem saber, eu não te deixei ser.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Chuva

Preste atenção na chuva
Ouça o que ela tem a lhe dizer
Escute a voz suave do vento
Entenda o que você tem a fazer
A vida não é feita de fantasias
Tudo tem seu preço para se realizar
Mas vale a pena mergulhar nas suas utopias
Para fugir da verdade que aí está

Escute o canto suave da chuva
As gotas desenhando um leve pranto sobre você
O vento grita tentando abrigar-se
Nada mais consegue do que se render
Gotas de cristal, de prata que caem do céu
Um paraíso intocável que parece irreal
Posso ver no fundo da tua alma o gosto de fel
Vejo que morres para fugir de todo o mal

Não temas! Entregue-se...
Ao prazer e o pesar
De mergulhar nessa mistura doce
De vento de chuva
De beleza e dúvida
De sofrimento e mágoa
De ar e água
De real e sonho
De vivo e morto

Os raios de luz que partem dos teus olhos
Me acalmam numa doce angústia
No meu pecado de amar
No meu erro te sofrer
Em insistir no existir
Pensando só em mim
Sem medo de morrer.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Desconhecer

Fugir ou continuar?
Insistir ou fragmentar?
Perder ou acertar?
É medo? O que há?

Mão na mão
na
Boca na boca

Sentimento inanimado
Coração acelerado
Acontecimento inesperado
Amor calado?

Dia após dia
após
Noite após noite

Sofrimento intenso
Clima denso
Tempo extenso
Momento propenso?

Gota em gota
em
Vento em vento

Estação de clima inanimado, desconhecido, descontrolado.
Estado de espírito confuso, novo, desequilibrado.
Mão na noite após dia na boca de gota em gota, de vento em vento.