domingo, 15 de janeiro de 2012

Sendo eu

Daí que um belo dia você acorda e percebe que anda faltando um pedaço. Perambula pelos cantos meio triste, porque, porra, ta faltando um pedaço. E você não acha.
Aí você percebe que você criou, sem direito algum, uma extensão de você mesmo, e aí, aí, meu amigo, aí você realmente se ferrou. Porque é nessas horas que a vontade é toda de pegar tudo e colar em você, mas você não pode. Porque não é seu. E nem deve ser.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Paz

Hoje sou dominada por um sentimento que toma conta de mim. Que toma conta de todos os lugares onde vou.
Sou outra. Sou eu. Novamente ou apenas agora, mas não importa. A vida se tornou palpável e palatável para mim de novo.
Voltei a experimentar. Planejar. Desejar. Querer. Arriscar.
Sinto o gosto disso tudo, moldo minha vida com a ponta dos meus dedos. Sem expectativas.
Nunca poderia imaginar que essa paz estaria a tão poucos metros de mim.
Amo-te, paz.
Amo teus olhos, amo tuas mãos.
Amo teu cheiro, amo teu abraço.
Amo o que temos.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Rouba as Palavras

Hoje eu acordei sozinha, a cama tava um frio que só. Senti vontade de te abraçar, não deu.
Senti vontade de ter aquele toque delicado no meu rosto, o afago nos cabelos, aquele olhar tímido quase inocente. Não tive.
Senti vontade de embriagar-me com seu cheiro, de morder o seu pescoço, de me encantar um pouco mais ainda com sua delicadeza. Não deu.
E não é só o cheiro excelente, as mãos macias, o olhar de ternura infinita. É mais que isso.
É uma paz tão sublime, é uma tranquilidade imensa. É vontade de te roubar pra mim.
É não entender como tudo é tão bom, mas não fazer questão disso.
É não fazer questão de nada. É querer apenas um carinho. Um afago. Um olhar terno. Um sorriso. Daquele que desmonta, desconserta. E rouba as palavras.

sábado, 4 de junho de 2011

Vazio, nada, breu e afins.

Conviver com a solidão é menos apavorante do que parece. Ela tem me feito uma boa companhia. Não que alguém se importe, mas enfim.

De algum modo, quando a gente começa a enfrentar uma bola de neve de coisas inesperadas a gente pára e reflete sobre como está vivendo, e também se quer viver assim. Coisa de gente normal.

Tudo de mais interessante perde a graça, perde aquele encantamento característico de quando tudo tá no seu lugarzinho certo, de quando sua vida está organizada. Isso mesmo, organizada.

Não que eu seja amante das rotinas, bem, de fato realmente não sou, mas saber pelo menos que você terá algo pra fazer amanhã é bom. Na verdade, não é a rotina que é boa, é ter algo pra fazer, que você goste, todos os dias. Não precisa ser a mesma coisa. Só precisar ter algo pra fazer, deitar no travesseiro e pensar "hm, amanhã eu vou ter aula disso, daquilo". É só saber que você terá um motivo pra acordar, levantar da cama e existir.

O problema é quando a rotina é vazia, é quando você sabe exatamente como será seu dia desde a hora que acorda, e pior, sabe que não terá nada de interessante nele, e que ele será apenas mais um dia besta e vazio na sua vida. Como ontem. Como amanhã. É angustiante.

Estou que é pura angústia, mas nem é sofrimento. É uma angústia estagnada da previsibilidade, eu odeio previsibilidade. Parcial é bom, uau, sei que farei algo de bom amanhã. Mas saber sempre tudo que irá acontecer, e tudo do mesmo jeito, sem o gosto da novidade, do inesperado, é tão chato. É tão... Comum e besta. É isso, minha vida está muito besta. E sabe o que é pior? Não me bate o ímpeto de "ah, hoje vou mudar isso!". Não, eu fico esperando, até que tudo volte ao normal. Vai voltar, eu sei. E também, por mais que esteja bem sem graça tudo isso, o que eu poderia fazer mesmo? Nada. É isso que eu to fazendo, nada.

Uma hora tudo se ajeita, enquanto isso eu vivo aqui, minha inércia aceitável. Minha angústica estagnada. Minha falta do que fazer.

sábado, 14 de maio de 2011

Um velho despertar

Ela acordou em mais um dia comum, com uma cara comum, um cabelo comum de um jeito comum. Mas uma névoa de mentira pairava sobre sua cabeça, e ela não sabia bem de ontem vinha tudo isso.
- Nossa, mãe, não acordei muito bem. Mãe?
Parecia o gosto desconhecido e assustadoramente peculiar de uma solidão inédita, ela, afinal, nunca havia estado completamente só. Talvez apenas meio só, de um jeito que sempre haveria o colo de alguém para procurar.
- Mãe?
E mais silêncio.
Talvez fosse melhor permanecer em casa, uma hora tudo haveria de voltar ao normal. Mas não era sua casa, não era seu lugar. Não era sua vida, não era o que ela havia vivido até ali. nada estava igual, tudo mudara repentinamente, sem sua permissão, ou sem que ao menos ela pudesse esperar. Ela estava vazia. E vivia o vazio de dentro para fora, externando tudo o que lhe havia de nada, preenchendo tudo com absolutamente nada. Só.
- Mãe?
Então ela decidiu que era hora de enfrentar, e, de finalmente, abrir os olhos. Mas veja, o vazio nem é tão inédito assim, só havia sido ausente por alguns anos. Alguns anos de preenchimento completo, e ela só estava mal-acostumada.
- Filha? Acordou?
- Oi, mãe. Que bom que está aí.
- Está tudo bem?
- Sim, apenas estou sozinha. De novo.
E, de uma hora para outra, viu-se completamente só outra vez. Achou que fosse inédito, mas, na verdade, só havia esquecido como era. Felizmente, junto a tudo se lembrou que sobreviveu, e que, por fim, às vezes se bastava a si mesma.
- Só achei que já tivesse visto isso antes, mãe.
Nem tudo é verdade, mas também não se torna mentira só porque não se conhece.
Continuou...